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lembro de quando ele tirou essa foto. de como o Sol raiava, ao contrário do que conseguíamos com o vídrio azul de Virgin Suicides. de como eu ria. de como gostava de me perder, apenas porque achava que podia. de como eu achava tudo imaculadamente perfeito. e de como nunca vou me despedir dessas lembranças do além do meu coração. do lugar de onde ele ainda pertence, ao contrário do que devia.
um azul de conto de fadas. de fantasia. exatamente irreal.
Tento sempre me convencer de que tenho as respostas factuais do porquê de tudo. Do porquê do distanciamento, do porquê do desmoronamento desde algum belo dia que deve tê-lo deixado em algum lugar. Do porquê dele ter deixado que chegasse a certo ponto. Do porquê de tudo acontecer como aconteceu.
Nunca chego a nada. Chego a não entender. A dizer que nada existiu desde o começo; foi um desvaneio azul que confundiu qualquer coração e fez com que o laranja parecesse dourado e o dourado, azul. E que o que mais importa é que eu deveria aceitar isso de uma boa vez, e deixar que as coisas continuem como já estão, caindo de forma descontrolada, aquilo que eu achava ser indivisível.
Mas o que faço com as lembranças?
com essas vozes?
com todas as fotos?
com todo o azul?
(e a lembrança dos fatos não deixa mais que me perca indiscutivelmente, como antes. me prende à desconfiança de todo o amor derramado em "com todo o azul?" e obriga a remediar:
todo romanticismo é irreal se não comprovado pelos dois lados.
então não existe todo todo esse azul. )

O jeito é abraçar a memória... A sua memória.

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